sexta-feira, 11 de maio de 2012

Aranha descoberta no Pará corre risco de extinção

Exploração de bauxita é a maior ameaça à sobrevivência da nova espécie

Por: Aline Gatto Boueri
Publicado em 22/12/2004 | Atualizado em 21/10/2009

Uma nova espécie de aranha foi descoberta durante expedição pelo rio Juriti, no Pará. A Drymusa canhemabae é a segunda espécie do gênero encontrada na América do Sul e a primeira do Brasil. A descrição da espécie saiu em 25 de outubro na revista Zootaxa , em um artigo assinado por Antonio D. Brescovit, do Instituto Butantan, Alexandre B. Bonaldo do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG) e Cristina A. Rheims da Universidade de São Paulo (USP).

Imagem ampliada de macho da D. canhemabae . A aranha mede 2,16 mm de comprimento (foto:Cristina Rheims)



Segundo Alexandre Bonaldo, a nova espécie de aranha tem distribuição geográfica restrita, o que aumenta a dificuldade de encontrá-la e, principalmente, o risco de extinção. Além disso, a D. canhemabae vive em uma área de intensa exploração de bauxita e, por conta disso, está ameaçada. “Na exploração da bauxita retira-se a cobertura vegetal para a mineração”, explica o zoólogo. “Em seguida, a cobertura vegetal é recolocada no local de onde foi retirada. Isso diminui o impacto, mas não garante a segurança da espécie."

A D. canhemabae pertence à 67ª família de aranha registrada no Brasil – a 59ª na Amazônia. Mesmo assim, Bonaldo reclama da falta de informação sobre as espécies amazônicas. "Há um imenso vazio amostral sobre a incidência de outras aranhas na região", aponta.

As técnicas de captura usadas pelos pesquisadores são reveladoras da maneira como a espécie vive. A D. canhemabae foi capturada em ’terra firme’, às margens do rio Juriti. Foram 15 dias de prospecção, na qual foram capturadas também outras espécies de aranhas, ainda não descritas.

A D. canhemabae foi encontrada em dois microhábitats diferentes, distantes 20 quilômetros um do outro e de características vegetais diferentes. Isso pode significar que a espécie tenha capacidade de viver em mais de dois microhábitats. Apesar disso, os pesquisadores estão pessimistas quanto à distribuição da nova espécie, o que se nota no nome que escolheram para batizá-la: canhemabae vem do tupi e significa ’aquele que pode desaparecer’.


Aline Gatto Boueri
Ciência Hoje On-line
22/12/04

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